15/12/2016
Entrevista com o Dr. Arildo Corra Texeira, sobre Jornada de Endometriose.

 

A Sogipa realizou, no mês de dezembro, a Jornada de Atualização em Endometriose. O evento fechou o calendário de 2016. Dr. Arildo Corrêa Teixeira, que foi um dos palestrantes, falou sobre a sua participação na Jornada. Confira:

 

1- Quais os temas o senhor abordou na sua palestra?

Falei sobre o diagnóstico ultrassonográfico da endometriose. É um diagnóstico importante porque a endometriose hoje é uma doença que está em crescimento. As mulheres estão deixando pra engravidar mais tarde e, com isso, estão menstruando mais. E quanto mais se menstrua, maior a chance de você desenvolver a doença. O ultrassom é uma exame muito importante porque ele é considerado tanto um exame de triagem para a doença naquela paciente que não tem o diagnóstico ainda, como um é considerado um exame de primeira linha paras as pacientes que estão fazendo o mapeamento da doença. Porque a doença ela é multifocal, ou seja, ela se apresenta em vários órgãos pélvicos e extrapélvicos. Então o ultrassom é fundamental para que você faça um mapeamento adequado pra depois decidir qual o tratamento necessário.

 

2- Qual a importância da discussão em torno desse tema?

A discussão na verdade é hoje muito mais pela dificuldade de se fazer o diagnóstico. A endometriose pode se assemelhar a outras doenças no quadro clínico. Então só com o quadro clínico o ginecologista tem um pouco de dificuldade de saber se esta paciente tem ou não endometriose. O tempo médio no Brasil para o diagnóstico é de sete anos. Então veja quanto tempo uma paciente sofre até que ela chegue realmente ao diagnóstico da doença e depois mais um tempo ainda para iniciar o tratamento adequado.

 

3- A discussão entre os profissionais ajuda consequentemente as pacientes?

Sem dúvida. O fundamental aqui é a gente discutir quais são os principais critérios pra que você indique o exame para a tua paciente. E quando mais cedo você fizer o diagnóstico, mais você vai beneficiar a paciente porque ela precisa de um diagnóstico precoce, não só pra evitar o quadro clínico de dor, mas também para prevenir lesões que possam levá-la a esterilidade. A endometriose é uma das principais causas da infertilidade que a gente tem hoje.

 

4- Como o senhor avalia o calendário de jornadas, proposto pela Sogipa ao longo do ano?

Eu sou um grande fã da diretoria da Sogipa tanto desta gestão quanto das anteriores. Sempre que sou convidado eu procuro participar dos debates, das palestras. E mesmo quando não sou palestrante procuro vir para participar. Acho fundamental, não só para o conhecimento da patologia como também para que o médico se atualize. Sem atualização hoje a gente não consegue quase nada. O grande objetivo seria captar mais colegas para atualização e, principalmente qualificar o nosso residente. Porque o nosso médico residente, ele na prática está atuando, mas ele também precisa de orientação teórica.

 

5- Essa troca entre os médicos mais experientes e os residentes então é fundamental?

Sim. Porque é o estudante que estimula a gente fazer o que a gente faz. Estudar, se aperfeiçoar... é isso que faz a gente estar sempre atualizado e procurar passar o que a de melhor para eles. Desta forma todos ganham. Tanto os jovens quanto os mais antigos. É uma maneira de você ter um congraçamento. E a Sogipa faz isso muito bem.

 


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