16/11/2016
Entrevista Sobre o XVIII Congresso Sulbrasileiro de GO e III Congresso Sulbrasileiro de Mastologia com o Prof . Dra.Mar

 

 

O diabetes gestacional é bastante comum. A Dra. Maria Lucia Oppermann, do Rio Grande Sul, falou sobre este importante tema durante o XVIII Congresso Sul-Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia e III Congresso Sul-Brasileiro de Mastologia, realizado em Foz do Iguaçu, entre os dias 27 e 29 de outubro. Após a sua palestra ela concedeu entrevista. Confira:

 

1- Cada vez mais novos trabalhos trazem novas possibilidades para o diabetes gestacional. Como está esta situação atual?

O diabetes gestacional já era a doença, a complicação da gestação mais comum e agora vai se tornar de longe a mais comum a medida que a gente aumenta a idade da gestante. As mulheres estão preferindo engravidar mais tarde. E a gente aumenta o grande vilão do novo século, que vai ser a obesidade, automaticamente isso vai se refletir no aumento do diabetes do tipo 2 e diabetes gestacional. Em alguns países da ásia o diabetes gestacional já é quase 40% das gestações.

 

2- E o que a Dra. mostrou durante o Congresso?

Eu acho que o foco foi mostrar que a única maneira de tentar diminuir a epidemia de obesidade é atuar no ambiente uterino, e a gestação é o momento mais importante para isso. Se a gente conseguir que a gestação, que o ambiente uterino, fique o mais próximo possível do normal a gente vai diminuir, possivelmente, aqueles recém-nascidos grandes para a idade gestacional que vão fazer obesidade na infância, e que vão ser adultos obesos que quando engravidarem vão ter diabetes gestacional e aí fecha o ciclo. O que eu trouxe de mais importante é que a dieta parece ser o ponto crucial. Então, se a gente consegue fazer uma dieta saudável, todos, a maioria dos estudos estão mostrando, que todas as intervenções feitas para diminuir a obesidade e o diabetes gestacional não funcionam durante a gravidez. A gente teria que iniciar a dieta e atividade física no período pré concepcional. Mas se a paciente engravidou e tem diabetes gestacional a dieta é o nosso foco. E a dieta de baixo índice glicêmico tem se mostrado a mais promissora.

 

3- Sem remédio, só dieta?

A gente inicia sempre com a dieta. Pelo menos duas semanas com dieta de baixo índice glicêmico com valor calórico calculado para o peso ideal da paciente.

 

4- Como que é a aceitação destas pacientes?

O mais importante é mudar aquela ideia de que se eu for gestante eu tenho dois então tenho que comer por dois. Não, não tem que comer por dois, às vezes tem que comer um pouco menos do que vinha comendo e principalmente comer diferente. Então a gente orienta que não é para parar com os carboidratos, nós vamos ter que escolher os carboidratos que dão menos resposta glicêmica e isso tem funcionado bem. É claro que algumas pacientes, as pacientes mais difíceis de seguir a dieta não são as pacientes com diabetes gestacional, são as pacientes com diabetes prévia. Porque elas já vem com essa luta a muito tempo e algumas delas ficam muito rebeldes. Porque elas já têm alteração hormonal, já tem todo aquele quadro... Elas já convivem com esta doença a muito tempo. As pacientes mais complicadas de tratar com dieta são as pacientes com diabetes tipo 1. Que ou são diabéticas desde a infância ou desde a adolescência e que esta luta é muito grande. A paciente com diabete gestacional, em geral, adere muito bem.

 

5- E o congresso. Como a Sra avalia a participação das pessoas aqui?

Eu fiquei bem surpresa, surpresa pelo ponto de vista de bem. Achei a participação muito interessante, muita gente fazendo questionamento, eu achei isso muito bom em vez de ter aquele silêncio no final das palestras. Eu só senti que, não sei se é um problema de crise financeira ou de qualquer outra maneira, mas eu esperava um número maior de participantes.

 

6- E como a Sra avalia esta troca? Esta interação?

É muito benéfica para todo mundo. Para quem deu aula até para saber quais são os pontos que tem que ser melhorados porque não estavam muito claros e as pessoas precisaram perguntar, e as pessoas que estavam na plateia podem ter casos concretos para discutir. E isso é uma maneira da gente trocar ideia com gente que tenha mais experiência. Eu acho isso excelente. E esta maneira de colocar um tema livre no final das palestras foi muito boa, principalmente as mesas redondas.

 

7- E o Congresso. Esta troca de experiências é boa? Todo mundo ganha, não só vocês profissionais mas também os pacientes lá na ponta?

Ah eu não tenho nem dúvida que certamente o mais beneficiado é o paciente por isso eu acho que estes congressos, não só congresso mas pequenas reuniões mais específicas de algum tema tem que ser estimulados. E fora dos grandes centros para poder ter mais gente que seja afetado.

 

 


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