21/12/2016
Entrevista com o Dr. Marcelo Zugaib, do Paule So, sobre XVIII Congresso Sul-Brasileiro de Ginecologia e Obstetrcia e I



 


Dr. Marcelo Zugaib, de São Paulo, foi um dos palestrantes que movimentou bastante a sala de obstetrícia durante o XVIII Congresso Sul-Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia e III Congresso Sul-Brasileiro de Mastologia, realizado em Foz do Iguaçu, entre os dias 27 e 29 de outubro. Logo após a sua palestra ele concedeu entrevista à Sogipa, confira:


 


1- O senhor falou sobre um problema bem comum entre as mulheres grávidas?


Sim, a hipertensão na gravidez ainda é a principal causa de morte materna no nosso país. O que ocorre além da problemática é que o médico, precipitadamente, interrompe a gravidez e cria um problema pro lado da criança que é a prematuridade. O que eu procurei apresentar é que nós podemos, perfeitamente, controlar a hipertensão na gravidez e nós temos todo o armamentário para avaliar as condições da criança. Então, se por um lado eu uso bem as medicações pra controlar a pressão eu evito que a doença se agrave e portanto evito aquilo que levaria a morte materna. Por outro lado, controlando a pressão materna eu consigo caminhar mais tempo dentro da idade gestacional e acompanhando nós podemos, ao invés de tirar uma criança com 29 / 30 semanas, tirá-la com 34. Ao invés de tirar uma criança com 34 eu posso tirá-la com 37. Com isso eu caminho a idade gestacional , diminuo a incidência de prematuros e controlando a pressão evito que a mãe tenha a consequência maior dessa doença que é a convulsão, que é eclampsia. Foi basicamente isso que eu procurei apresentar.


 


2- Como o senhor avalia a interação com os participantes?


Foi ótima a interação. Eu tenho uma postura que é muito decorrente de uma vivência de uns 30 anos com a população brasileira. Eu não me iludo com aquilo que surge a todo momento como novidade, ou como procedimentos que estão sendo propostos por países do primeiro mundo, porque esses procedimentos eles não cabem aqui. Aqui ouve um embate, mas eu procurei defender aquilo que a minha vivência tem me levado a convicção de defender. 


 


3- Mas até mesmo estes "embates" são importantes para a difusão do conhecimento?


Sem dúvida, porque senão fica como se fosse algo empurrado goela abaixo, e não é isso que pretende em um ambientes de alto nível como este. Porque um congresso sul-brasileiro é um congresso diferenciado no que diz respeito ao Brasil como um todo. A região sul do país é muito desenvolvida comparativamente com a outras. Então esse embate, é um embate de altíssimo nível. É realmente algo que eu aproveito muito e que eu creio que eles também.


 


4- Qual a sua avaliação do Congresso?


Maravilhoso. Não me surpreende. Eu sou sistematicamente convidado pra vir ao Paraná, que é um estado exemplar. Agora é um congresso sul-brasileiro que abrange também o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A plateia lotada, são pessoas de alto nível. Eu fiquei muito feliz, mas não surpreso. Eu já esperava que fosse assim.


 


5- O senhor é uma celebridade entre os profissionais da área. Como o senhor recebe o carinho dos médicos, dos colegas?


Eu vejo como um reconhecimento a todos esses anos de trabalho. E não há nada melhor nessa vida do que você ter a sua vida reconhecida pelos seus pares. Isso me faz uma pessoa muito realizada na área profissional. Fico muito feliz.


 


6- Gostaria que o senhor falasse um pouco sobre o seu livro "Zugaib Obstetrícia".


Eu tenho hoje esse livro que é mesmo uma referência para o estudo da obstetrícia no país. Na verdade eu tenho a honra de ter o meu nome na obra, como líder que sou há 30 anos na clínica de obstetrícia da Universidade de São Paulo, mas aquilo é fruto do trabalho de uma equipe que me acompanha nessas décadas todas e me tem como uma pessoa muito amiga e que divide com eles o dia a dia, discute com eles a todo instante, e com isso eles me ajudaram a construir essa obra, da qual eu me orgulho muito. Zugaib Obstetrícia é algo que soa suave nos meus ouvidos.


 


7- Qual recado o senhor deixa para os médicos mais novos?


Eu tenho mostrado pra eles que é preciso ter um espírito crítico. Que não comprem tudo aquilo que lhes é apresentado. Eu defendo muito os valores. Os valores que, muitas vezes na vida, estão sendo abandonados por aqueles que só estão atrás de alguns minutos de glória, de fama, de benefícios peculiares. Eu tenho mostrado que ser feliz depende de um trabalho contínuo, um esforço muito grande para construir uma convicção que tenha benefícios pra todos, e para isso ela tem que ter sido construída com valores. Medicina é paradigma. Eu me modelei olhando líderes e professores que tive durante a vida e eu espero poder ser um pouco disso para aqueles que estão agora trilhando o mesmo caminho que eu já trilhei. E tudo isso só é possível com muito amor. Eu sou um apaixonado pelo o que eu faço e dá pra perceber nos embates aí!! As pessoas pensam que eu estou brigando, e eu não estou brigando, eu estou enfaticamente defendendo as minhas convicções, mas eu também escuto e escuto muito, só não compro facilmente tudo que me dizem.              


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