15/12/2016
Entrevista com a Dra. Anna Carolina Petry Soares, falou sobre a Jornada de Endometriose.

Durante a Jornada de Atualização em Endometriose, última do calendário de 2016. O evento fechou o calendário de 2016, a Dra. Anna Carolina Petry Soares falou sobre Endometriose e disfunção sexual feminina: como conduzir. Depois do evento ela concedeu entrevista à Sogipa.

 

1- O que a senhora expôs na sua palestra?

A endometriose é uma doença que, na verdade, acomete muito todo o complexo de vagina, útero, ligamentos, faz um processo de fibrose importante... e isso a paciente sente muito no momento da relação sexual. Porque principalmente nas posições onde existe uma penetração mais profunda, aonde toca nessas regiões mais doloridas, mais retraídas, ela sente dores muito agudas, dores muitas vezes incapacitantes pro ato sexual. E essa dor cíclica que acontece em todos os momentos de coito vai fazendo com que ela uma ansiedade na hora que vai chegar essa penetração porque ela sabe que vai ter dor e isso gera um estresse pré-coito. Isso faz com que ela não relaxe e não tenha vontade de ter uma relação sexual por causa da dor. Isso gera uma disfunção sexual em todos os ciclos da sexualidade dela porque ela já espera por uma dor. E uma dor nunca é prazerosa e geralmente gera uma angústia. Por isso essa mulher começa a se afastar da sua sexualidade e do seu parceiro, que muitas vezes se sente rejeitado porque ele quer e ela evita, e isso gera uma complicação para o relacionamento. E muitas vezes essa paciente não tem o diagnóstico de endometriose e não sabe o que fazer, a que ou a quem recorrer. Eu mostrei que a paciente precisa tratar a endometriose e que é possível que esse casal regate a sexualidade que eles foram perdendo por causa da doença.

 

2- Como fazer para que essas mulheres percebam isso e busquem ajuda?

Essas mulheres devem se abrir para os seus ginecologistas. E eles devem ficar atentos para esta dor, até perguntar sobre a sexualidade delas. A gente pergunta sobre a dor de vários aspectos, mas as vezes se esquece da vida sexual. E quando o ginecologista perceber que esta paciente tem uma disfunção na relação sexual vale a pena encaminhar para ajuda porque tem muita coisa que a gente pode fazer pra minimizar o sofrimento.

 

3- Muitas vezes nem elas sabem a causa dessas dores e não falam sobre isso com seus médicos?

Exatamente. É muito difícil ela trazer isso como uma queixa espontânea. Ela vai falar da cólica, da menstruação... mas da sexualidade, por ela já ter tanto medo, tanto pudor, tanta dificuldade, é muito difícil ela falar sobre isso com o ginecologista. Por isso a gente tem que buscar esta queixa. 

 

4- Qual a importância da discussão proporcionada pela Jornada?

Ao meu ver é fundamental. Porque a vida sexual é importante e a gente não pode esquecer as mulheres, na maioria, têm parceiros, e que a vida sexual harmoniosa dentro do casamento é muito salutar para este relacionamento. E quando a ela começa a ter dificuldade neste sentido o relacionamento também fica mais fraco o que gera um afastamento deste casal. Então eu acredito que a sexualidade é tão importante quanto você cuidar da doença. 

 

5- Como a senhora avalia a troca de experiências que acontece durante a Jornada?

A troca de experiências entre os profissionais eu acho fundamental porque cada um tem um olhar e cada um compõe a mulher com o seu olhar. E quando a gente divide isso com os outros a gente amplia mais o cuidado com essa paciente. E os casos clínicos apresentados complementam ainda mais essa troca porque com eles a gente concretiza, exemplifica de uma maneira muito importante tudo o que foi discutido nas palestras.  

 

 


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