29/09/2016
Em setembro a SOGIPA sediou a III Jornada de Atualizao em Uroginecologia: Recentes Avanos. A Dra. Maria Augusta T. Bo

1- Sobre quais temas a senhora falou na jornada?

Coube a mim falar sobre o tratamento do prolapso genital. Dentro da uroginecologia, das patologias, das doenças do assoalho pélvico, sem dúvida nenhuma é, junto com a incontinência urinária, o carro chefe em termos de importância do tema. E é o carro chefe porque é o que mais acomete as mulheres. São os órgãos que se prolapsam, que caem, no português leigo, e as perdas de urina. Sem dúvida nenhuma um tema mais do que acertado. Qualquer bom simpósio de ginecologia, de uroginecologia, tem que obrigatoriamente abordar estes temas, que são muito atuais, pertinentes diante da importância da problemática. Mesmo que no Brasil a gente tenha um grande número de cesariana no caso. Mas mesmo assim a problemática das disfunções do assoalho pélvico é muito importante, principalmente com o avançar da idade.    

 

2- Qual a sua avaliação sobre a troca de experiências proporcionada pela jornada?

Cada vez que a gente sai da nossa casa a gente aprende algo a mais. Essa troca de experiências é fantástica e é fundamental na verdade. Você encontra situações muito parecidas, mas com realidades diferentes em termos até de capacidade ou até mesmo de condições de você tratar em diferentes locais. Então quando você estuda o que fazer em determinadas situações, é um mundo ideal que a gente está pintando ali. Quando a gente vai para as diferentes realidades locais, por mais que as pessoas tenham os mesmos problemas de saúde, a forma como você vai tratar nem sempre ela pode ser igual, ela pode ser o ideal. Quando você tem esse compartilhamento de experiências você acaba vivenciando a realidade de situações onde não é possível você oferecer os melhores tratamentos. Ou porque as pessoas não tem a capacitação profissional ideal, isso não é homogêneo no nosso país, não é todo mundo que tem a mesma formação, o mesmo treinamento. E então estes cursos aparecem em boa hora porque acabam sendo cursos de capacitação, de reciclagem pra quem está fora da universidade. A gente trabalha num país de grandes discrepâncias de níveis socioeconômicos e cultural, e a gente que é ligado a universidade fatalmente trabalha com uma população mais carente e eu não tenho condição de oferecer o tratamento ideal. Então o que os profissionais de outros locais costumam fazer, nos ajuda também. Eu fiquei realmente muito impressionada com a preocupação da SOGIPA em distribuir estes cursos de atualização em todo o Paraná. São 18 ao longo de um ano em diferentes cidades. Isso é fantástico, é muito difícil fazer isso. Pra mim isso significa que há uma preocupação em transmitir o conhecimento aqui no estado. E isso é chave de tudo para se ter uma medicina ideal.

 

3- E quem também ganha são as pacientes?

Eu não tenho dúvida de que as pacientes só tem a ganhar, a se beneficiar cada vez mais que o problema delas é discutido de uma maneira mais ampla. Isso vai desde discussões isoladas, que acontecem nos intervalos das jornadas, até os cursos ministrados. E esses eventos contribuem para você se tornar um médico melhor e poder tratar melhor suas pacientes. A gente sempre aprende e as pacientes sempre ganham. E esse é o grande objetivo.

 

4- O que a senhora vai levar deste evento?

Eu realmente me impressionei bastante com a organização da SOGIPA, com a preocupação das gestões em fazer este tipo de evento. O que não é comum. Você não tem essa preocupação em outras associações regionais pelo Brasil. Estar aqui foi uma satisfação. Eu sou paranaense e fiquei muito contente em ver isso aqui no Estado. E isso é visível pra mim, na forma com que os profissionais que estão aqui  participaram e interagiram durante o evento. A necessidade, a vontade, o desejo de aprimoramento ficou visível pra mim. Eu aprendi que ainda, fora dos grandes centros, mesmo em locais onde você teria condições de ter uma política de saúde mais favorável, a viabilidade dos tratamento ainda não chegou. Isso é uma coisa que a gente precisa buscar sempre. Isso é um outro lado que a sociedade tem que se preocupar. Os profissionais buscam atualização, por outro lado o gerenciamento da saúde tem que viabilizar os tratamentos.


<< Voltar





Filiada à: febrasgo