27/06/2016
SOGIPA realizou neste ms, o II Curso de atualizao em Vitalidade Fetal e Cardiotocografia - Dr Joo Bennini da Unicamp

Quais assuntos foram abordados na sua palestra?
O curso foi sobre a Avaliação do bem estar fetal, vitalidade fetal, então eu contribui com duas discussões. Primeiro eu trouxe alguns casos práticos do dia a dia, mostrando os exames que nós utilizamos pra fazer a avaliação em vitalidade fetal, a cardiotocografia para avaliar o bem estar, e a correlação com os achados clínicos, demonstrando em quais situações o método pode nos ajudar e em quais ele pode, eventualmente, nos atrapalhar. É importante sempre a gente fazer uma avaliação integrada disso tudo. Depois eu falei também sobre a questão dos limites da cardiotocografia. O que nós temos hoje em dia que mostra que realmente é um exame que pode contribuir pra essa avaliação durante o pré-natal, pra evitar que você tenha perda gestacional ou bebês que nasçam com algum tipo de sequela. E quais casos a gente tem que tomar cuidado e lançar mão de outros métodos. A discussão foi sobre os limites da cardiotocografia. Em quais situações eu tenho que saber que eu já cheguei no limite do exame e que eu preciso lançar mão de outros exames para ficar tranquilo e, em quais situações, só esse exame já é o suficiente para eu poder tomar a minha conduta e tranquilizar a paciente ou não.

Como essa troca de experiências contribui no dia a dia?
Eu acho que é importante pra gente ver o quanto das informações estão difundidas e o quanto as pessoas estão falando a mesma língua. A medicina é uma ciência, que todo mundo sabe, que não é exata e que evolui muito em ciclos. Algumas coisas ficam em moda, outras vezes elas saem de moda. Então as vezes você descobre uma nova tecnologia e acha que aquilo vai resolver o seu problema, mas quando vai implantar na prática percebe que não é bem assim. Por isso essa troca de experiências é importante pra ver o quanto todo mundo está falando a mesma língua. Aqui eu vejo que as pessoas estão bem uniformes nas suas condutas. Isso ajuda a gente ver como está a difusão do conhecimento, como isso está sendo difundido e quanto que isso está chegando nas pessoas. Existe um intervalo grande entre você criar um conhecimento, produzir o conhecimento, testá-lo na prática e ele chegar no dia a dia das pessoas. Isso é importante para a gente tatear e ver o que já chegou e está bem estabelecido, e o que é preciso reforçar.

A continuidade dos estudos é fundamental para a prática?
Sim, eu sempre comento isso com meus alunos. O dia que eu acordar, for pra faculdade e achar que eu não vou fazer alguma coisa diferente, que eu não posso criar algo diferente, eu vou encerrar minha carreira e vou procurar alguma outra coisa pra fazer. A gente tenta buscar o limiar, a fronteira do conhecimento. Acho que isso é muito importante em qualquer profissão. A gente tem que buscar porque se a gente se acomoda acaba perdendo a oportunidade de desenvolver coisas novas. Se você pensar que há 20 anos, quando o celular analógico chegou todo mundo achava que já estava bom demais... hoje em dia tem a tecnologia digital! A gente tem que correr atrás. Eu tenho um viés, porque por trabalhar em universidade, por ser professor, eu tenho esse gosto, mas eu percebo que, cada vez mais, as pessoas estão se conscientizando disso. Mesmo quem está fora da universidade tem buscado se atualizar. Até porque hoje em dia a informação está muito disponível, a internet facilitou muito isso. Eu acho que a gente tem que buscar sempre essa questão de você mudar o conhecimento, tem que sempre estudar. Seja pra você ter certeza que o que você está fazendo é o melhor, seja pra você descobrir uma coisa melhor do que você está fazendo.

O senhor veio para ministrar um curso, passar conhecimento, mas não são só os participantes que ganham com esta experiência, não é mesmo?
Sem dúvida. Eu já vou voltar para a universidade comentando que aqui vocês utilizam uma classificação, que é uma classificação bem difundida, pra avaliar os traçados da cardiotocografia, que lá no nosso hospital a gente não está utilizando. Eu acho que a gente pode discutir isso, de repente a gente pode padronizar. Isso vai nos ajudar muito nos estudos, por exemplo. Quando está tudo mais padronizado você consegue juntar mais pacientes, você consegue falar a mesma linguagem e interpretar as coisas de uma maneira mais uniforme. Isso ajuda muito. Eu aprendi muito aqui. Valeu muito a pena.

O senhor já esteve em Curitiba?
O que achou da cidade? É um prazer estar aqui. É a segunda vez que eu venho pra Curitiba. Estive aqui há uns três anos a passeio. Foi muito agradável, fui muito bem recebido. E agora de novo. Curitiba esteve muito nos noticiários nacionais, por conta da Lava Jato, e quando eu disse que viria pra cá, o pessoal lá de Campinas mandou saudações para os curitibanos. Porque realmente nós temos muita admiração pelo trabalho feito aqui na Justiça Federal. É legal, muito bacana estar aqui, estou gostando bastante!

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