23/05/2016
A SOGIPA recebeu no ms de maio o Dr. Elvdio dos Santos. Ele falou sobre disponibilidade obsttrica aos associados



1. Qual a experiência vivida pelos obstetras de Vitória?

Nós nos sentíamos desvalorizados com relação a obstetrícia em Vitória. A remuneração era pequena, é um trabalho muito árduo... Então muitos obstetras estavam deixando de ser obstetras. Tinham muitas vagas na residência médica por falta de interessados em fazer obstetrícia e a gente sentiu que estava faltando uma valorização do profissional. Então nós buscamos essa valorização através de uma melhor remuneração, melhores condições de trabalho, foi todo um conjunto de ações. Para ter uma melhor valorização a gente achou que o obstetra que estava disponível, deveria ser remunerado para ir para o hospital já que o que estava de plantão era remunerado pelo plantão. A gente começou a criar regras, tanto jurídicas quanto éticas e morais, pra essa valorização da disponibilidade já que elas não existem. Não são tão boas ainda, nem tão precisas, mas elas deram um norte pra nós, lá no nosso estado.

2.  O que mudou a partir disso em Vitória?
Mudou a qualidade de vida do profissional, aumentou o número de partos normais porque as maternidades criaram condições pra que o plantonista fizesse esses partos. Isso é numericamente demonstrado, principalmente no hospital da Unimed (em Vitória), que baixou de 85/90% para 68% de cesarianas. Ainda é um ganho pequeno, mas já estamos no caminho. A gente tem uma equipe técnica muito boa, o plantonista é bem assessorado, a equipe é bem completa. Isso por si só já foi um ganho para as operadoras de saúde. E não foi só a Unimed que aumentou o número de partos normais, outras operadoras também por causa da disponibilidade do plantão. O plantonista está ali disposto a fazer o parto normal. Ou o obstetra que vai fazer o parto está sendo remunerado pra ficar acompanhando a gestante seis, doze horas, quanto tempo for preciso e, sem o prejuízo do consultório, ter que desmarcar as consultas. Então, isso deu muito mais disposição aos obstetras de um modo geral. Esse foi um ganho. Outro ganho foi o científico. Montou-se também protocolos, estrutura, salas de parto. Hoje a gestante é mais bem assistida em Vitória.

3. Os médicos estão mais confortáveis em Vitória em relação a disponibilidade obstétrica?
No início surgiu aquela coisa: "Ah, será que o que eu estou cobrando é legal, não é legal?".  Hoje eles sabem que é legal, estão mais confortáveis. Eu digo que 90% dos obstetras de Vitória estão cobrando a disponibilidade. Aqueles que não cobram é porque têm contrato com determinado plano de saúde, mas cobra do outro. Mas hoje em Vitória é unânime: se acabar a disponibilidade, acaba o obstetra pelo convênio.

4. Na sua opinião, qual a importância dessa troca de experiências entre os estados?
A gente está fazendo uma especialidade crescer. A obstetrícia infelizmente não é vista com o devido respeito perante as outras especialidades médicas. Então essa troca de conhecimento, de experiências, ajuda na valorização de todos os obstetras e quem é beneficiado lá na frente é a paciente.




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