18/05/2016
Nosso associado, Dr. Jos Jacyr Leal Jr, lanou o livro "Amor, Crebros e Escolhas". Confira a entrevista que

1. "Amor, cérebro e escolhas" propõe uma reflexão sobre as relações e as emoções humanas? 
Sim. Faz parte de um Programa que se eu pudesse resumir em uma palavra, um verbo, uma ação, seria ressignificar. Refletir, dar novos significados a partir de diferentes olhares, novos conceitos, outras escolhas baseadas em boas emoções e madura razão. Utilizo o tema Amor, por ser a relação de casal tão cara para todos nós, contudo, os aspectos neurais de nossas reações ao medo, esse que gera intolerância, violência, ainda que fator positivo de proteção e segurança permanente, precisa ser controlado. E apenas quem pode administrar é a razão.


2. O livro ajuda o leitor a entender o amor nas relações? De que forma? 
Compreender quais mecanismos neurais nos fazem agir de modo automático - inconscientes, faz com que possamos ter controle sobre eles. Uma briga, uma reação violenta torna-se desnecessária quando compreendido os fatores que desencadeiam, no outro e em mim mesmo. Minha segurança emocional torna-me alguém de Paz, minha insegurança transforma-me num guerreiro violento. Essa intrincada relação em nossa mente é didaticamente apresentada no livro tornando claro caminhos e escolhas.
 
3. Como as áreas do cérebro podem influenciar nossas escolhas e a forma que lidamos com o amor? 
Uma briga, uma reação violenta nada mais é do que um fator intrínseco e primário de proteção. Uma reação contra uma agressão real ou imaginária, verdadeira ou interpretada como forte o suficiente, faz-nos atuar sem direção... brigar. Do que tenho medo? O que não quero e não posso perder? Do que preciso fugir? Por que preciso atacar? Defendemo-nos de modo irracional, e assim, mesmo acordados, conscientes “sentimos” esses impulsos primitivos e “reagimos sem pensar”. Lembra-se daquela frase: “- Conte até dez””? Pois deveríamos dar mais valor a ela. No entanto, só daremos valor se a compreendermos – é o que procuro deixar claro em meu livro. E, atenção, quanto mais Amor, mais medo de perda (do controle, do domínio, do próprio amor), assim a luta pelo poder entre casais é (quase) inevitável.

4. É possível melhorar o comportamento a partir de uma melhor compreensão do funcionamento do cérebro e das emoções?
 Sim, porque se reconheço meus mecanismos de defesa, passo a determinar "quem manda em mim": Minhas emoções, meus medos, minhas ilusões..., ou meu racional, confiança (em mim mesmo). Requer treino diário, perseverança, confiança no amor. Saber que a dor sempre irá aparecer, mas estarei cada vez mais preparado para ela. 
 
5. Como é tratada, no livro, a escolha de uma paixão?
Não posso revelar aqui, porque tiraria a surpresa posta no livro. No entanto, posso dizer que algo em nós escolhe nossa paixão. Algo em mim reconhece no outro aquilo que mais vou precisar em minha vida. Não como “a tampa da panela”, nada disso, porém, as qualidades e características que preciso “viver” em minha existência para crescer, para ser confrontado, afrontado, persuadido a mudar (para melhor). Hoje, por medo e por facilidade, desprezamos esse verdadeiro presente que nosso cérebro escolheu para nós, destruímos a relação e saímos em busca de outro(a). Reinicia-se o processo. Como somos fracos, não damos conta novamente..., e um rastro de sofrimento e filhos, e família, e amigos, restam arrebentados pelo caminho de nossos medos e imaturidades. Precisamos de coragem para crescer. Para ser feliz. Para fazer Escolhas.
 
6. Reações inconscientes podem influenciar as relações? 
É possível dizer que somos o nosso inconsciente. Influencia relações e todas as nossas ações se não “vigiarmos e orarmos”. Quando recém-nascidos, de modo absoluto, quando crianças buscamos cada vez mais autonomia, autonomia essa dificultada por nossa cultura cada vez mais célere e que exige robôs para o mercado e não humanos para a vida. Então surge o descartável, a importância no superficial, no i-phone da moda, no supérfluo, no egocentrismo. Tudo isso é primitivo cerebral atuando fortemente sobre nossas escolhas, ridículas na imensa maioria das vezes, porém nada mais do que tentando sobreviver (ao caos atual). Nosso Consciente fica muito pequeno frente a tantas forças que fazem alguém comprar um carro apenas porque a propaganda é linda e..., desejável. O consciente diz: “-Não, não posso, não devo”, enquanto o inconsciente inventará um milhão de desculpas para estarmos na porta da loja de carros no dia seguinte e saímos explicando – infantilmente – porque DECIDIMOS comprar o carro. Pergunto a você: “- Quem decidiu”?
É o mesmo inconsciente que passa a explicar porque o divórcio será a única saída. E o pior, acreditamos nele.
 
7. Qual a principal mensagem que o senhor espera passar aos leitores?
Vale a pena PENSAR (racional) e ACALMAR o coração (emoção). Tomar as rédeas da vida. Aprender que o nosso inconsciente automático só está ali para nos ajudar, e atrapalha e muito se deixado solto. Comparo nosso cérebro com uma carruagem onde as rodas do carro, os amortecedores e eixos comportam-se como o cérebro primitivo, suportando todos os solavancos da estrada e mantém nossa temperatura, pressão, etc. Os cavalos, à frente, são eles a nossa emoção que nos puxa para todo lado, causando trancos maiores ou menores ao carro. São os motores, a força que nos permite ir à frente. Dentro do carro, estão nossos passageiros que seguem o caminho olhando a paisagem, ouvindo os sons da viajem, sentindo o aroma da natureza – os lobos cerebrais que elaboram nossa vida. No entanto, sobre tudo: sobre o carro, e com as duas mãos postas à rédea da emoção, senta-se o cocheiro, olhando sempre a frente. É o nosso Lobo Frontal, plenamente humano, exclusivo, capaz de modos maravilhosos aprender a olhar o futuro ao longe e determinar, planejar um modo estratégico de chegar a ele. É o cocheiro que sabe a Cidade que quer alcançar, e estuda o caminho que o levará em segurança, sempre no controle da emoção, sem forçar as rodas que tocam o solo da vida.
Essa é a mensagem. Há uma peça à frente, em nossa cabeça, que sofreu uma evolução filo e ontogenética, e que precisamos finalmente deixar para trás a fase de “curva de aprendizado”, precisamos diminuir nossos erros, aprender com habilidade cada vez maior, ser feliz, e fazer o outro, a quem tanto amamos, feliz.

 


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